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Por Bill Mollison

Durante o século XX, a constante substituição da madeira pela energia derivada dos combustíveis fósseis conduz a humanidade a uma seqüência de acontecimentos que aumenta, cada vez mais rapidamente e em proporções cada vez mais consideráveis, o rendimento dos sistemas de produção e a taxa de crescimento econômico do planeta, tornando as tecnologias cada vez mais aperfeiçoadas, mais produtivas e cada vez mais consumidoras de energia.

Nesse ponto de vista, devemos dar razão a Ivan Illich quando afirma que o exercício da democracia é indissociável da existência de uma técnica de baixo consumo de energia, sendo que a incorporação de algo mais do que uma certa quantidade de energia por unidade de um produto industrial inevitavelmente tem efeitos destruidores, tanto no ambiente sociopolítico quanto no ambiente biofísico.

O autor dos estudos  referentes à equidade energética sustenta que não é possível alcançar um estado social baseado na noção de democracia e simultaneamente aumentar a energia mecânica disponível, a não ser segundo a condição de que o consumo de energia por pessoa numa sociedade se mantenha dentro de limítes.

A única saída humanamente desejável seria uma gestão democrática e não-autoritária da energia – entendendo democracia como baixo consumo de energia – a qual passaria necessariamente por um acesso igualitário aos recursos energéticos, uma visão ainda bastante utópica, e a utilização de fontes renováveis de energia através do uso de tecnologias alternativas descentralizadas. Colocar-se nesta perspectiva significa repensar, não somente a organização das relações de produção, mas também a necessária articulação entre a estrutura social e as forças da natureza.

 

Permacultura
Devemos mudar nossa filosofia, antes que qualquer coisa mude. Mudar a filosofia da competição (a qual, hoje, penetra nosso sistema Educacional) para a filosofia da cooperação, em associações livres. Mudar nossa insegurança material para uma humanidade segura; trocar o individuo pela tribo,  petróleo por calorias e dinheiro por produtos.

A grande mudança que necessitamos fazer é do consumo, para produção, mesmo que em pequena escala, em nossos próprios quintais. Se 10% de nos fizessem isso, haveria o suficiente para todos. Assim, vê se a futilidade dos revolucionários que não tem jardins, que dependem do próprio sistema que atacam, que produzem palavras e balas e não alimento e abrigo. Algumas vezes, parece que somos apanhados, todos nós, na Terra, em uma conspiração conscientes ou inconsciente para nos mantermos sem esperança. E, mesmo assim, são pessoas que produzem todas as necessidades de outras pessoas. Juntos, podemos sobreviver. Nós mesmos podemos curar a fome, toda a injustiça e toda a estupidez do mundo. Podemos fazê-lo compreendendo a forma com que funcionam os sistemas naturais, pelo reflorestamento e jardinagem cuidadosos, pela contemplação e pelo cuidado com a Terra.

Detalhes da Publicação

Categoria

Artigos

Data

12 de fevereiro de 2016

Autoria

admin

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