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A filosofia por trás da permacultura é a de se trabalhar com a natureza, e não contra ela; de se fazer uma observação prolongada e bem pensada em vez de uma ação prolongada e impensada (trabalho desnecessário); é a filosofia de enxergar os sistemas em todas as suas funções, em vez de exigir deles apenas um produto; e de permitir aos sistemas mostrarem suas  próprias evoluções.

Assim, na permacultura nós usamos os modelos ecológicos encontrados em sistemas naturais como base para projetar sistemas integrados. Como conceito prático, sua aplicabilidade vai da sacada do apartamento até a fazenda, da cidade grande até a mata, nos capacitando a estabelecer ambientes produtivos que atendam nossas necessidades e as infraestruturas econômicas e sociais que suportem esses ambientes.

Todos os aspectos da cultura e dos ambientes humanos, tanto urbanos como rurais, e seu impacto global e local, são levados em consideração. Permacultura é a ética do cuidado com a Terra porque o uso sustentável da terra não pode ser separado do estilo de vida e de aspectos filosóficos.

Permacultura é algo fácil de compreender como um todo, fácil de sentir, fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos, mas bastante difícil de definir. Poderíamos dizer, resumindo muito, que é a prática real e efetiva da sustentabilidade, ou que é a ecologia colocada como práxis diária. Nas palavras sarcásticas de seu criador, Bill Mollison, é  “um meio racional de não se defecar na própria cama”, ou, de forma mais otimista, “uma tentativa de se criar um jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma que ela seja abundante e com algum significado, sem prejudicar o meio ambiente ou o próximo. Isso é amplo e genérico, decerto, e pode parecer pretensioso e quase místico. Mas, com a permacultura, é algo muito prático e possível, e é aí, nessa praticidade e factibilidade, com exemplos palpáveis e funcionando em vários locais do mundo, inclusive no Brasil, que a permacultura conquista, convence, encanta e cresce. Ela nos coloca uma ética que impõe uma ação imediata, por menor e mais local que seja, para a organização de uma nova sociedade planetária, baseada na sustentabilidade, no desenvolvimento de modelos baseados na natureza e na cooperação com ela, natureza, e com os outros seres humanos.

Então, para chegar ao grande e amplo objetivo que é construir, a partir da abundância saudável possível e factível, uma nova sociedade planetária, ela desce em detalhes específicos, minuciosos e práticos em todos os campos das reais necessidades humanas.

Começa pela alimentação e produção de alimentos, passa pelo projeto, design e construção de habitações, pelos sistemas de geração e conservação de energia, pelos sistemas de manejo e conservação de água, pelo design de comunidades sustentáveis, pelo desenvolvimento de sistemas monetários alternativos e até por sistemas de governância das comunidades sustentáveis, com práticas de consenso, resolução de conflitos e por aí afora.

Por isso ela está crescendo dessa forma vertiginosa. Por isso ela, com menos de 30 anos de existência, está se tornando parte integrante da política oficial de desenvolvimento da Austrália, país onde surgiu. Por isso vale a pena conhecê-la, divulgá-la e, principalmente, colocá-la em nosso dia a dia.

ÉTICA DA PERMACULTURA

O ponto de partida da permacultura é a sua ética. É uma série de valores que devem ser constantes no trabalho de um permacultor, aliás, deveriam fazer parte do dia-a-dia de todas as pessoas independente de sua profissão, credo, nacionalidade ou raça.

A ética são os pontos a seguir:

CUIDADO COM A TERRA

CUIDADO COM AS

PESSOAS

PARTILHA DOS

EXCEDENTES

 

O CUIDADO COM A TERRA fala do respeito a todas as coisas do planeta sejam estas vivas ou não. É permitir e incentivar que todos os sistemas vivos possam continuar e se multiplicar.

Cuidando dos  ecossistemas, das espécies, das águas, dos solos e da atmosfera em todos os momentos de nossa vida, teremos assim um mundo mais saudável por mais tempo. Esse cuidado, esse respeito se reflete em nossas rotina diária caso nossas decisões sejam responsáveis.

Ações responsáveis são atitudes que valorizam a vida, ou seja, o uso de recursos de forma adequada não apelando ao consumismo exagerado e ao desperdício.

Aqui cabe os “famosos” 5 erres, a serem aplicados nessa ordem:

RECUSAR, REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR e RESTAURAR

Recusar materiais e atitudes poluentes, tóxicas ou que degradem o ambiente na sua extração ou no seu descarte. Reduzir o consumo dos recursos, controlando com consiência nossas próprias necessidades e, principalmente, cortando os supérfluos.

Reutilizar materiais e recursos em sua forma original, diminuindo o volume de resíduos que são jogados fora e evitando o gasto de energia para que sejam transformados em outros elementos. Reciclar materiais, agora chamados de “resíduos”, para que possam voltar ao início do processo como recursos (um novo ciclo).

Restaurar o ambiente natural sempre que possível (na verdade, o ideal é evitar que o ambiente, natural ou construído, seja degradado em primeiro lugar – o que nos leva ao “recusar”).*

O CUIDADO COM AS PESSOAS é importantíssimo pois apesar de a espécie humana não ser a mais populosa do planeta, é a que mais danos causa e em menor tempo. Portanto se, ao cuidarmos das pessoas, conseguirmos que todas recebam o básico para suas vidas, teremos um planeta com mais chances de se tornar sustentável.

Essas necessidades básicas podem ser abrigo, alimento, tratamento de resíduos, educação, trabalho e relações humanas   saudáveis.

A PARTILHA DOS EXCEDENTES significa que após tenhamos suprido nossas necessidades e também tenhamos projetado e investido em nossos próprios sistemas da melhor forma possível, podemos partilhar o excedente de tempo, energia, dinheiro, recursos e conhecimentos auxiliando outros a alcançar a sustentabilidade e uma melhor qualidade de vida, sempre tendo em vista o cuidado com a Terra e o cuidado com as pessoas.

Pode-se observar, através da ética da permacultura, que a possibilidade de um mundo melhor, sustentável e justo, é uma questão de trabalhar em COOPERAÇÃO e não competitivamente. Cooperação entre o ser humano e a Terra, entre o homem e outras espécies e, também, cooperação entre as próprias pessoas. Aliás, qualquer pessoa, instituição ou nação que acumule riqueza ao custo do empobrecimento de outras está diminuindo a expectativa de sustentabilidade da sociedade humana.

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Categoria

Sem categoria

Data

12 de fevereiro de 2016

Autoria

admin

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